sábado, 5 de outubro de 2024

O DILEMA DOS DOUTORES


 


Analfabetos liderando a marcha

com lumiares e lampiões…

Entreolham-se na espessa negridão

de letrados, sabidos e doutorados….


Algo cintilante, exuberante e radiante

flameja com estupenda sinceridade,

magnífica simplicidade!


Nós, estudados, entendidos, inteligentes

não temos frentes ante as frontes

da poderosa simplicidade…

Quanto mais sabemos

mais espinhoso é o caminho para a paz!


Que benção dúplice,

repartir nosso saber

à custa de “destexturizar” nossos textos…


São lindos romances

os calos da mão do arado,

suja e seca da terra,

do escritor que nunca leu uma frase…


São belas trilogias

a ausência nos debates,

pelo resgate do suspiro

do plantio de uma flor doméstica…

Uma mãe, uma vida, uma escrita!


A raspada do espinho

na pele queimada…

Uma clara fonte de poemas,

uma trabalhadora desgastada.


São olhos vagos, pequenos, escuros, mas claros;

Uma vida pequena de sonhos mal-tratados

É a vida dilema

de uma fronte baixa,

duma risada curta, breve e anônima.


Logo passo e,

entre meus pés

me avisto caminhando…

Sol de inverno,

solado duro e os primeiros carinhos do chão…

Me perco apaxonando-me por um pé de goiaba…


São tantos poemas sem letras… (Gabriel Monteiro)


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