Analfabetos liderando a marcha
com lumiares e lampiões…
Entreolham-se na espessa negridão
de letrados, sabidos e doutorados….
Algo cintilante, exuberante e radiante
flameja com estupenda sinceridade,
magnífica simplicidade!
Nós, estudados, entendidos, inteligentes
não temos frentes ante as frontes
da poderosa simplicidade…
Quanto mais sabemos
mais espinhoso é o caminho para a paz!
Que benção dúplice,
repartir nosso saber
à custa de “destexturizar” nossos textos…
São lindos romances
os calos da mão do arado,
suja e seca da terra,
do escritor que nunca leu uma frase…
São belas trilogias
a ausência nos debates,
pelo resgate do suspiro
do plantio de uma flor doméstica…
Uma mãe, uma vida, uma escrita!
A raspada do espinho
na pele queimada…
Uma clara fonte de poemas,
uma trabalhadora desgastada.
São olhos vagos, pequenos, escuros, mas claros;
Uma vida pequena de sonhos mal-tratados
É a vida dilema
de uma fronte baixa,
duma risada curta, breve e anônima.
Logo passo e,
entre meus pés
me avisto caminhando…
Sol de inverno,
solado duro e os primeiros carinhos do chão…
Me perco apaxonando-me por um pé de goiaba…
São tantos poemas sem letras… (Gabriel Monteiro)

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